
Passado é um paraíso na minha memória; em criança todas as correrias todos os mimos; querer sempre mais e mais, poder brincar, ser feliz, eram tempos onde podíamos voar sem ninguém nos alcançar. Conforme uma criança vai crescendo muita coisa muda, amigos de infância perdem-se, outros ganham-se. E ao longo destas etapas da vida, vamos evoluindo, mudando nossas maneiras de agir, de pensar; mudando os nossos sonhos, projectos, ideais, tornando-nos em verdadeiros seres humanos, em verdadeiros adultos arrependidos do seu presente e com saudades do seu passado.
No presente apenas há em mim dor, tristeza, pânico, medo de passar mais uns minutos, medo de tudo e de todos, medo de sofrer ainda mais. A dor simplesmente não quer passar, as lágrimas correm e não pretendem secar, amo quem não devia amar, pois o fruto proibido é sempre o mais apetecido, não podendo trocar o meu amor, apagá-lo de um dia para o outro, ter um interruptor e desligar a luz, limito-me a sofrer o dia-a-dia sem ele, e imaginar o meu futuro sem ninguém do meu lado.
Quero gritar, desaparecer, fugir, correr, para um sítio onde ninguém me conheça, sozinha, até encontrar o sítio perfeito, longe de todas as mágoas, de todas as tristezas, deixar os fantasmas para traz, começar de novo ou morrer de novo.
Lembrar-me dos momentos em que me dizias amo-te, que eu era tudo para ti, é demasiado doloroso, pois agora isso tudo parece ter desaparecido na tua cabeça, o teu amor parece que se foi, apenas desapareceu, como um caracol deixa a sua casa. Eu sou essa casa, que fica para traz, sozinha esperando que tu voltes, à chuva, à neve, na queda da folha no Outono, nos raios de sol do verão, na queda do pólen das flores na primavera, sendo devorada então pelos bichos ou pisada por alguém mais forte que eu.
Esta dor, esta mágoa, esta tristeza, estes sentimentos todos até que me fazem bem, pois é uma única maneira de me lembrar de tudo aquilo que passou, daquilo que foi felicidade um dia e de saber que ainda estás vivo dentro de mim.
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